Catequistas: sinais de amor e gratuidade
Minha saudação a todos os irmãos e irmãs que acompanham a Voz da Diocese. Neste último domingo do mês de agosto e mês vocacional celebramos a vocação das e dos catequistas. Catequistas são pessoas que, a partir das necessidades pastorais de sua Comunidade, ouviram o chamado de Jesus – “Quanto a ti, segue-me” (Jo 21,22) – e colocaram-se a serviço do Reino de Deus assumindo a missão catequética. Catequistas são testemunhas do Evangelho que, com o exemplo e com o anúncio da Palavra de Deus, acompanham os catequizandos, os educam e os formam na fé e para a fé, levando-os ao encontro pessoal com Jesus Cristo e ao seu seguimento, na Comunidade cristã. Trata-se de um trabalho gratuito, feito com generosidade e amor. Por isso, lembramos e rezamos, hoje, por todas e todos os catequistas. Que o Espírito do Senhor os ilumine e fortaleça nesta importante missão de serem guias espirituais de nossos catequizandos para que estes, com suas famílias, andem no caminho de Jesus, participando ativamente da Comunidade.
Prezados irmãos e irmãs. A Liturgia da Palavra deste domingo nos convida a incorporarmos a humildade e a gratuidade como princípios de vida. A Primeira Leitura, do livro do Eclesiástico (3,17-29), propõe a mansidão e a humildade como caminho para encontrar a graça de Deus: “Filho, realiza teus trabalhos com mansidão e serás amado…” (3,19). “Na medida em que fores grande, deverás praticar a humildade e assim encontrarás graça diante do Senhor” (3,20a). A humildade é “o contrário do orgulho e também da humilhação forçada”. Para Jesus, grande é aquele que se coloca a serviço do outro (Lc 22,26). Fazer-se pequeno é reconhecer a grandeza de Deus. Por isso, o Eclesiástico ressalta que “é aos humildes que o Senhor revela seus mistérios” (3,20b).
O Evangelho deste domingo (Lc 14,1.7-14) relata que Jesus, em um sábado, “foi comer na casa de um dos chefes dos fariseus” (Lc 14,1a). Como havia outros convidados, certamente também Jesus o foi. E Lucas ressalta que lá os fariseus o observavam (Lc 14,1b) e Jesus via como os convidados procuravam “os primeiros lugares” (Lc 14,7). Para Jesus, essa postura de competição, de busca pelos lugares de honra…, não condizia com o seu ensinamento. Seu posicionamento era claro: “Eu estou no meio de vós como aquele que serve” (Lc 22,27). Por isso disse-lhes: “Quando tu fores convidado para uma festa, não ocupes o primeiro lugar… Vai sentar-te no último lugar…” (Lc 14,8a.10a). Jesus propõe a atitude da humildade como base do relacionamento humano. Para ele, “quem se eleva, será humilhado e quem se humilha, será elevado” (Lc 14,11).
Caríssimos irmãos e irmãs. Depois Jesus fez outra advertência: “Quando tu deres um almoço ou um jantar, não convides teus amigos/irmãos/parentes/vizinhos ricos… Convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos. Então tu serás feliz! Porque eles não te podem retribuir. Tu receberás a recompensa na ressurreição dos justos” (Lc 14,12-14). Jesus propõe a gratuidade como valor fundamental. O Reino de Deus “não é comércio ou troca de favores”. Os pobres, aleijados, coxos, cegos não têm com o que retribuir. Deles não se pode esperar nada em troca. Por ninguém os convidar, Jesus proclama “feliz” (Lc 14,14a) quem se faz solidário com eles. E garante que não ficará sem recompensa. Dessa forma, numa sociedade determinada pela remuneração econômica, Jesus nos convida a agir a partir de uma atitude de gratuidade, de amor e atenção ao pobre. Os momentos mais intensos e marcantes da nossa vida são aqueles em que vivemos o espírito de gratuidade. Nunca uma pessoa é tão grande como quando sabe irradiar amor gratuito e benevolência para com quem necessita.
Caros irmãos e irmãs. Peçamos ao Senhor que nos conceda um coração simples, humilde e generoso, desprendido do desejo de privilégios, reconhecimentos e recompensas. Um coração capaz ainda de amar e servir sempre àqueles que mais precisam de nós sem nada esperar em troca, tornando-nos felizes aos olhos de Deus, na missão que nos foi confiada. A todas e todos os catequistas, nossa gratidão, nosso reconhecimento e nosso carinho pela missão realizada em toda a Igreja.
Deus abençoe a todos e bom domingo.
Dom Adimir Antonio Mazali – Bispo Diocesano de Erexim – RS